domingo, agosto 28, 2005
Campanhas milionárias (CONTINUAÇÃO)
O país, para onde mentalmente fui transportado, vivia uma situação económica difícil. As autarquias, tinham carência de fundos para fazer frente às necessidades das populações. Por esse facto, os partidos e os grupos de cidadãos, que concorriam aos órgãos de soberania local, fizeram um pacto. Muito embora inicialmente tivessem orçamentado a campanha num valor superior aos 100 milhões de Euros, iriam concertar esforços e estratégias para que esse valor fosse reduzido significativamente. Dado o estado do país, era preciso deliberar e agir segundo as circunstâncias, dando primazia ao bem comum. Na campanha eleitoral iriam gastar o mínimo possível. Para tal, iriam partilhar meios e efectuar acções de campanha de forma concertada. O dinheiro, inicialmente destinado a bagatelas inúteis, à ostentação e à vaidade iria ser gasto em prol do concelho e dos munícipes.
A uma distância sensata de cada mesa de voto, foi colocado um painel, dividido equitativamente por cada força politica ou grupo de cidadãos concorrentes às eleições. Foi nestes espaços, que entrei em contacto com as listas concorrentes e com o seu programa. Os meios de comunicação locais abriam as portas a todos os candidatos, promoviam, entrevistas, debates e narravam as acções de campanha de forma livre e isenta. Os candidatos percorriam o seu concelho inteirando-se das preocupações, anseios e necessidades das populações. Por incrível que pareça, cheguei a ver adversários políticos a fazerem jornadas deste tipo em conjunto. Estas acções de campanha terminavam, invariavelmente, numa secção de esclarecimento bipartida, na qual os candidatos apresentavam as suas propostas e respondiam às questões dos eleitores. Confesso o meu espanto, ao ver pessoas com ideias tão diferentes, a respeitarem-se e a não se deixarem obstinar pelas suas opiniões e ideologia. Os munícipes, a todos escutavam com atenção, colocavam questões e apresentavam sugestões.
