domingo, agosto 28, 2005

 

Campanhas milionárias

Hoje, pela tardinha, delirei que nem um louco. Por certo efeitos secundários da aguardente velhíssima ( ), com que, ao almoço, aconcheguei um tenro cabritinho.

Sentado no sofá, folheava, vagaroso, uma revista de moda, esquecida na sala pela minha mulher. Amiudadamente, confesso, a minha atenção retinha-se nos encantos de uma ou outra modelo. Muito embora o dia estivesse cinzento, o som dos Bill Evans Trio, “Sunday at the Village Vanguard”, irradiava claridade. De repente, sucede o inexplicável. O meu espírito é transportado para um país longínquo. Um país muito esquisito, com uns costumes estranhos. Naquele país estava-se em período de campanha eleitoral, para eleger os órgãos de soberania das autarquias locais. Contudo, não vi cartazes, com as fotografias dos candidatos e/ou palavras de ordem, em todas as esquinas. Estranhei não encontrar carrosséis de viaturas, debitando slogans e música, de gosto duvidoso, vagueando por ruas e vielas, conspurcando o sossego dos cidadãos. Não enxerguei candidatos, seguidos pelo seu rebanho, em transumância por feiras e mercados, distribuindo camisolas, esferográficas, bonés e autocolantes. Não encontrei luxuosas sedes de campanha. Não me constou que alguns candidatos presenteassem os eleitores com viagens de helicóptero, cruzeiros no rio ou excursões a Fátima. Não ouvi rumores, de que alguns munícipes haviam sido brindados com televisões, micro-ondas e outros utensílios domésticos. Não escutei boatos, nos quais empresários, na tentativa de cair nas boas graças dos futuros autarcas, patrocinavam, sem parcimónia, as campanhas eleitorais. Não assisti a comícios grandiosos, abrilhantados por dispendiosas figuras do mundo do espectáculo. Nem senti o cheiro de faustosos repastos, destinados a centenas de pessoas, um verdadeiro paraíso para os papa jantares. Tão pouco me constou que houvessem guerrilhas, conspirações, e apunhalamentos pelas costas.

CONTINUA…


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