terça-feira, novembro 08, 2005

 

É PROIBIDO BEIJAR

Na portaria, um aviso diligente informa: A excessiva demonstração de afectos em público, pode atentar contra a sã convivência da comunidade escolar.

É PROIBIDO BEIJAR!

Avisos, idênticos a este, estavam espalhados por toda a escola. Nenhum canto escapava, nem as retretes. Os funcionários e alguns professores zelavam para que a norma fosse acatada e escrupulosamente cumprida. A mais bela forma de demonstrar afecto, carinho e amor, tinha sido banida do quotidiano escolar.

Os prevaricadores eram severamente punidos.

Aquela era uma escola diferente. Tal como nas outras o tabaco, a droga, o álcool e as armas brancas, tinha entrada garantida. Contudo, ali, naquela escola modelo, os afectos, as carícias e os beijos tinham acesso negado. Era proibido beijar.

Mas um dia, um milagre aconteceu. Quando tocou para o intervalo, da hora do almoço, os alunos acorreram todos ao pátio central da escola. Num segundo, o pátio ficou repleto. E foi então, que os professores e funcionários, incrédulos, testemunharam um espectáculo inacreditável. Do nada surgiu um vendaval de beijos, abraços, carícias, apertos de mão, palmadas nas costas, gargalhadas e sorrisos. Sem distinção de idades ou sexo, os alunos trocavam afectos, trocavam humanidade.

Tinha chegado a hora do grande banquete, do festim há muito desejado e por falso pejo adiado. Tinha chegado a hora da rebelião, a hora do Banquete B.


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