sábado, janeiro 07, 2006

 

O mistério de Belém foi desvendado

O mistério das estranhas personagens que apareceram em Belém já foi desvendado. Afinal não são terroristas, nem actores, nem foliões do Carnaval saloio de Loures, tão pouco a equipa de pólo de um qualquer manicómio. Aqueles seis cavaleiros, de ar apocalíptico, vestidos com belas fatiotas, são os Reis Magos. Por incrível que possa parecer, afinal os bondosos magos não são apenas três e muito menos são tão caridosos como durante milénios nos fizeram crer. Um enviado deste blog, que devido à falta de dinheiro para deslocações, bebeu meia garrafa de aguardente velha e entrou em contacto com os magos por telepatia. Nesse contacto imediato, de 40º de álcool, descobriu um segrego secular, que se encontrava à guarda do Priorado do Bolo-rei. No entanto, este contacto foi física e psicologicamente muito desgastante, tendo o nosso correspondente sido acometido de uma súbita má disposição que o conduziu às urgências do hospital. Devido a este doloroso acontecimento (para ele é claro), só agora levamos até si estas novidades. Mas não se apoquentem, pois ele já está praticamente recuperado.

Bom, vocês querem é saber o que descobrimos, não é? Então preparem-se que a revelação é bombástica.

Os Reis magos, no primórdio dos tempos, eram uma irmandade de dezenas de cientistas e astrólogos, que formavam uma casta sacerdotal, que tinha por missão caçar a estrela de Belém. Estes sacerdotes passavam os dias a orar e a observar e estudar os astros, na tentativa de encontrar a estrela de Belém, a estrela que os conduziria ao ser supremo, ao rei dos reis. Sempre que avistavam uma estrela que correspondia aos cânones da estrela sagrada, deixavam tudo para trás e iam no seu encalço. No entanto, devido aos perigos e aos azares nem todos chegavam ao seu destino. Uns perdiam-se, outros morriam e outros ainda eram feitos prisioneiros. Aqui esta a justificação para o facto do menino Jesus ter sido adorado apenas por três reis.

No entanto, à medida que os séculos foram passando também a filosofia e os valores preconizados pelos reis magos se foram alterando. Actualmente os reis magos julgam que a estrela os conduzirá, não ao rei dos reis, mas sim, ao local onde um deles poderá ser rei de verdade (segundo um dos reis, por nós contactado, esta alteração comportamental teve origem nos “efeitos da globalização e da sociedade de consumo”). Daí, quando avistaram uma estrela diferente, com o cintilar a definhar, ficaram intrigados. Depois de alguma pesquisa no firmamento e nas cartas astrais, verificaram que a dita estrela estava pousada sobre um local chamado Belém. Aí dissiparam-se todas as dúvidas e partiram em busca da estrela e do sonho que ela encerra:- “proporcionar a quem a encontrar um reinado na Terra, pois o reino do outro mundo é incerto,… muito incerto até.”

No início eram dezenas, no entanto, devido às dificuldades do percurso, só seis estão em condições de disputar o trono.

Agora chegou a parte final, e também mais difícil, da longa caminhada. Como nos confidenciou um outro rei -“Isto é tipo uma competição de espermatozóides, que correm velozmente na direcção do óvulo. No entanto, ao contrário dos espermatozóides, na nossa corrida o vencedor nem sempre é o mais veloz e capaz. Nas nossas disputas esta tudo muito dependente de factores colaterais, como seja o tipo de montada e o sistema de navegação adoptado. Não sei de sabe, mas enquanto alguns de nós fazem a sua viagem orientando-se apenas pelas estrelas, outros guiam-se através de aparelhos de GPS”. No seguimento desta conversa, um dos reis chegou mesmo a declarar que teve de pedir um cavalo e algum ouro emprestado para puder encetar esta expedição.

Outro rei, talvez aquele com ar mais cansado, afirmou que não teve apoios de ninguém. Mais, “quando estava quase a chegar perdi-me, pedi ajuda, mas estava a ver que ninguém me queria dar a mão. Só via gente a virar-me as costas. Foi por um triz que cheguei a tempo. Vamos lá ver se daqui para a frente as coisas correm melhor.”

Quando o nosso enviado questionou os reis magos sobre qual deles era o favorito, as opiniões ficaram divididas. No entanto, o nosso homem ficou com a sensação de que aquele que terá mais hipóteses de vitória será o mago a quem os outros tratam por Grão-mestre do Priorado do Bolo-rei. A ver vamos, lá mais para o fim do mês teremos a resposta. Até lá, enquanto a estrela de Belém continua a mirrar, os reis magos vão prosseguir a sua passeata pelas nossas ruas. Por isso já sabe, caso se cruze com eles não se assuste, os magos, quando disputam o poder, são seres dóceis, inofensivos e até bastante afáveis nos seus contactos com a população.

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