domingo, abril 02, 2006

 

Governo apresentou o Plano de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE)


Na quinta-feira o Governo apresentou o Plano de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE). Com este plano, o Governo pretendeu emagrecer o Estado em 187 organismos. A dieta adoptada é a "partilha de serviços" entre os vários ministérios, que vai determinar a extinção de 246 estruturas e a sua substituição por 60 novos organismos. Estes são os grandes números que resultam de meses de trabalho da comissão encarregue da reestruturação da administração central do Estado

No entanto, este blog soube que os meses de trabalho, da dita comissão de reestruturação, se resumiram a uma visita à Legoland da Dinamarca. Foi esta visita, que ocorreu aquando da ida do primeiro-ministro à Finlândia, que serviu de inspiração e de base de trabalho para o PRACE. Segundo consta, os membros da comissão, etiquetaram centenas de peças de Lego, uma para cada organismo público. As peças foram ainda divididas por cores, conforme cada ministério e secretaria de estado. Depois foi só transportar os Legos para a creche de S.Bento e deixar os miúdos tratar do resto. Desta forma, foi criada uma nova organização dos diversos organismos públicos. As peças que não foram utilizadas pelas crianças, correspondem às estruturas e organismos extintos.


sábado, abril 01, 2006

 

Dia das Mentiras

Hoje é dia um de Abril e eu decidi fazer uma cirurgia para mudar de sexo.

Atenção, nada de confusões, não estou a sofrer de nenhuma crise de identidade sexual. Estou completamente satisfeito com o meu par, digamos, de cromossomas. Sou homem, heterossexual e sinto-me feliz e realizado nessa condição. O meu problema não é de foro sexual, mas sim, por incrível que pareça, de foro político.

Desde miúdo acalento um sonho, vir a ser eleito deputado da nação. Não imagino a razão para sonho tão estranho e tão contra-natura. Os miúdos, por norma, sonham em ser policias, bombeiros, pilotos de avião, astronautas ou futebolistas. Agora, em serem políticos é estranho ou pelo menos não é comum. Já perscrutei a minha mente até às entranhas, mas não vislumbrei a resposta para tal anormalidade. Durante anos, consultei psicólogos, psiquiatras, hipnotizadores, bruxos, espíritas e exorcistas, mas nenhum encontrou explicação para o meu “problema”. Vai daí, só me restava uma coisa, seguir o meu sonho e tentar ser eleito deputado. Para tal, pensei eu, só tenho de arranjar maneira de ser proposto numa lista partidária às eleições legislativas. Pareceu-me fácil. Puro engano, é mais fácil ver um cego chegar a árbitro de futebol. Bem, este exemplo não foi feliz, pois cegos a arbitrar é mato. Mas acreditem, de certeza que é mais fácil ver um coxo conquistar um lugar na selecção nacional. Isto, claro está, desde que o seleccionador não seja o Scolari.

Desengane-se quem julga que, para chegar a um lugar elegível, é só preciso ter competência, provas dadas, qualificações e mérito. Se isso funciona-se assim, e dou a mão à palmatória, eu nunca teria acalentado a mínima esperança de alcançar tal bênção. Sim, pois ser deputado é uma verdadeira bênção. Mas não, as batalhas, os códigos e as condutas que conduzem à elaboração das listas finais, são obscuros e insondáveis. É um jogo, por vezes viciado, de regras complicadas e paradas elevadas. Daí, ser difícil ao comum dos mortais, independentemente do sexo, raça ou credo, ver o seu nome num lugar elegível.

Depois de muitas tentativas frustradas, confesso, com o coração inundado de mágoa, abandonei o meu sonho de petiz de sentar o meu rabo num banco do parlamento. No entanto, quase por milagre, algo extraordinário aconteceu.

Na passada quinta feira o PS levou a votos no Parlamento a sua Lei da Paridade, a qual visa estabelecer que todas as listas para a Assembleia da República, Parlamento Europeu e Autarquias Locais sejam compostas de modo a assegurar uma representação mínima de 33,3% de cada um dos sexos. Um número que me faz pensar. Tendo em conta de que, no início da semana, o governo apresentou os 333 primeiros passos contra a burocracia, presumo que os socialistas têm um fetiche com a capicua 333.

Para Maria de Belém, que apresentou o projecto de lei, o objectivo é combater "todas as formas sub-reptícias de impedir a participação feminina a vários níveis". E não o estabelecimento puro e simples de quotas: "O sentimento não é esse, é antes o de abrir os partidos e a política às mulheres".

Ora aí está. Já que os partidos, pelo menos alguns, não se querem abrir as mulheres, toca a criar uma lei que obrigue as mulheres a abrirem-se aos partidos (isto não me está a soar bem). Mas isso agora não interessa nada. Trocando por miúdos, caso a lei seja aprovada, os partidos vão ter de incorporar nas suas listas, nem que seja à força, mulheres. Esta tarefa, pelo menos enquanto elas não se habituam à ideia, poderá não ser fácil. Sem dúvida, esta poderá ser a grande oportunidade para realizar o meu sonho.

Hoje é dia um de Abril e eu decidi fazer uma cirurgia para mudar de sexo!


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